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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

O MOBILIÁRIO DO TEMPLO E SIGNIFICADO

Com a mesma simbologia dos objetos do Tabernáculo, a mobília e os utensílios do grande templo construído por Salomão eram repletos de analogias sagradas

O templo erguido para Deus por Salomão, assim como o que o sucedeu, foram feitos com o intuito de substituir o Tabernáculo. Basicamente, seguiam o mesmo planeamento dado pelo Senhor a Moisés para a grande tenda que acompanhava o povo de Israel pelo deserto. Tinha praticamente a mesma mobília cerimonial básica e quase as mesmas peças, com os mesmos significados.
Veremos aqui alguns dos principais elementos dos templos de Jerusalém e seus respectivos significados:
O altar de sacrifícios – Logo que se entrava no pátio externo do templo, após as muralhas, era encontrado o grande altar em que se sacrificavam os animais ofertados a Deus. Eles eram o símbolo dos pecados e morriam em expiação por eles. Só podiam ser abatidos animais em perfeitas condições, geralmente os melhores entre os melhores dos rebanhos. Queimados, produziam fumaça que subia aos céus como “cheiro suave” ao Senhor (Êxodo 29.25), significando estar o fiel livre dos pecados, o que agradava a Deus.

O “mar de bronze” – Também chamado “mar de fundição” (I Reis 7.23-40), era um grande reservatório de água que ficava ao lado do altar de sacrifícios. Com a mesma simbologia da antiga pia do Tabernáculo, em sua água eram lavados os pecados, com um forte significado de purificação (na forma do sangue e qualquer outro resíduo que ficasse nas mãos e pés dos sacerdotes). O reservatório, redondo, ficava sobre doze bois esculpidos em bronze que, em grupos de três, tinham suas cabeças voltadas para os quatro pontos cardeais. No mar de bronze eram abastecidas dez pias móveis, sobre rodas, que eram espalhadas pelo pátio externo, cinco de cada lado do templo.
As duas colunas – Ao lado do pórtico principal do templo ficavam duas colunas de bronze que iam quase até o teto, nomeadas Jaquin e Boaz por seu realizador, Hirão Abiff, enviado pelo rei de Tiro, seu homónimo, Hirão, com os arquitectos e artífices que trabalhariam na obra do templo (I Reis 7.13-22). Reconhecido artesão do bronze, Abiff teria homenageado os reis David e Salomão com os dois pilares, segundo alguns crentes. Para os judeus, são pilares simbólicos muito importantes para a vida com Deus: Jaquin simbolizando a sabedoria e Boaz a inteligência (ambos atributos de Salomão que o faziam famoso em todo o mundo conhecido da época).

A mesa dos pães – A exemplo da mesa dos pães do Tabernáculo, o grande templo também tinha a sua, na mesma posição, à direita de quem entrava no Lugar Santo. Com doze pães ázimos empilhados em duas colunas de seis, a mesa da proposição simbolizava o alimento que vem de Deus, bem como o alimento espiritual de sua palavra. Hoje sabemos que era um dos vários símbolos alusivos a Jesus Cristo, que se referiu a ele mesmo como sendo o “pão da vida” (João 6.35), mesmo que na época os construtores do templo não soubessem disso.

Os menorás – O menorá, grande candelabro de ouro com sete lâmpadas a óleo, era somente um no Tabernáculo. No grande templo de Salomão, o número aumentou para dez, em duas colunas de cinco ladeando o santo lugar (I Reis 7.49). Além da evidente utilidade de iluminar o ambiente, simbolizava a presença de Deus no local. Além disso, suas lâmpadas eram alimentadas com óleo, simbolizando a unção de Deus sobre nossas vidas. A luz simbolizava também a própria Palavra, a verdadeira iluminação para a vida, orientando o caminho para o Senhor.
Altar de incenso – No altar que ficava no fim do Santo Lugar, o oráculo (I Reis 7.49), eram colocados os incensos, cujos aromas de especiarias e outros perfumes dominavam o cómodo. Uma simbologia bastante forte para as súplicas, que novamente nos levam à figura do cheiro agradável que sobe aos céus em direção ao Senhor. Ali os sacerdotes dirigiam suas súplicas e a de seus fiéis, já que eram como intermediários entre o povo e Deus. Hoje, graças ao sacrifício supremo de Cristo, falamos diretamente ao Pai.


O Véu – Separando o Santo Lugar do Santo dos Santos havia um véu, uma grande cortina com dois querubins bordados que era a única barreira. Somente o sumo-sacerdote entrava por ele para conversar com Deus diretamente. O simbolismo do véu é forte: embora seja um material frágil, a única coisa que impedia outros sacerdotes de entrar ali era o respeito e o temor a Deus. Também era um obstáculo à visão. Os sacerdotes comuns, bem como o povo, ali não entravam. Mas por meio da oração que o sumo-sacerdote levava, todos tinham seu acesso indireto ao pai. Um obstáculo frágil, fácil de ser transposto para chegarmos a Deus, bastando para isso orar (Marcos 15.38).

A Arca da Aliança – A Arca da Aliança, após muitos anos habitando no Tabernáculo, foi depositada no Santo dos Santos do grande templo de Salomão. Objeto sagrado somente tocado pelos sacerdotes e nunca por uma pessoa comum do povo, encerrava outros objetos com imenso significado sagrado: as tábuas dos Dez Mandamentos que Moisés lavrara orientado por Deus (a Palavra), um bocado do maná que foi dado como alimento ao povo no deserto pela primeira vez (a provisão de Deus) e a vara de Arão que florescera (o reconhecimento de Deus da autoridade conferida a alguém). Sobre a Arca estava o Propiciatório, a tampa do grande baú, com duas imagens de querubins voltadas uma para a outra com as asas esticadas. Entre os anjos dourados, o sumo-sacerdote deveria focalizar a presença de Deus, que falava a ele (Êxodo 25.10-22).

quarta-feira, 6 de maio de 2009

A aparente contradição entre Paulo e Tiago sobre justificação

A aparente contradição entre Paulo e Tiago

Muitos tem questionado a unidade teológica sobre justificação pela fé e lei entre Paulo e Tiago alegando contrariedades entre ambos no conceito da salvação.

Essa aparente contradição entre Paulo e Tiago levou até mesmo Martinho Lutero certa feita a tirar o livro de Tiago do Cânon. Lutero disse: “A epistolo de Tiago é uma epístola cheia de falhas, porque não contém nada de evangelho”.

Quando lemos principalmente Rom. 3:28 e Tiago 2:24, realmente corremos o risco de ficar completamente confusos devido a aparente contradição.

Em Romanos 3:28, Paulo é absolutamente firme ao afirmar que “o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei”. Passando os olhos no livro de Tiago 2:24, percebemos a aparente contradição na afirmação de Tiago que “uma pessoa é justificada por obras e não por fé somente”.

Para complicar um pouco mais, Paulo em Romanos 4, usa Abraão como evidência da justificação pela fé, o contrário de Tiago 2:21 e 22, que também usa Abraão como referência, porém para afirmar a justificação pelas obras.

E agora, como entender e resolver essa contradição aparente?

Na verdade não tem nada contraditório nestas citações de Paulo e Tiago. Para entendermos, precisamos primeiro ter em mente que Paulo estava abordando o assunto da salvação na perspectiva divina e Tiago na perspectiva humana.

Veja abaixo de forma objetiva a relação da mensagem dos dois discípulos:

Paulo – Estava falando sobre a justificação diante de Deus. Para Deus nossas obras não tem valor para serem como créditos de salvação.
Tiago – Estava falando sobre a justificação diante dos homens. Diante dos homens nossas obras precisam ser demonstradas porque evidenciam nossa fé.

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Paulo – Estava falando sobre a CAUSA, justiça pela fé que salva.
Tiago – Estava falando sobre o EFEITO, obras da fé que demonstram a verdadeira fé que santifica, que demonstra ação.

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Paulo – Fala da fé sem as obras para evidenciar a salvação e usa Abraão quando, que, mesmo velho creu que teria um filho. Gênesis 15.
Tiago – Fala da fé com as obras para evidenciar o resultado da salvação e usa Abraão quando esteve disposto a oferecer seu filho a Deus em sacrifício, Gênesis 22.

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Paulo – Usa Abraão em um contexto onde ele já estava justificado.
Tiago – Usa Abraão em um contexto onde ele prova que sua fé é verdadeira.

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Paulo – Evidencia que diante de Deus nossas obras não valem para a salvação e não são necessárias para mostrar que a fé é verdadeira.
Tiago – Evidencia que diante dos homens nossas obras precisam mostrar que minha fé é verdadeira, pois somos como espelhos para os outros.

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Paulo – Estava falando sobre a salvação pela fé.
Tiago – Estava falando que nossas obras precisam mostrar que nossa fé é genuína, verdadeira.

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Conclusão:

Pelo que vimos, não existe contradição entre ambos. O que aconteceu é que cada um pregou para grupos que iam aos dois extremos. Paulo enfrentou um grupo legalista, e Tiago enfrentou um grupo que cria na graça barata.