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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

O MOBILIÁRIO DO TEMPLO E SIGNIFICADO

Com a mesma simbologia dos objetos do Tabernáculo, a mobília e os utensílios do grande templo construído por Salomão eram repletos de analogias sagradas

O templo erguido para Deus por Salomão, assim como o que o sucedeu, foram feitos com o intuito de substituir o Tabernáculo. Basicamente, seguiam o mesmo planeamento dado pelo Senhor a Moisés para a grande tenda que acompanhava o povo de Israel pelo deserto. Tinha praticamente a mesma mobília cerimonial básica e quase as mesmas peças, com os mesmos significados.
Veremos aqui alguns dos principais elementos dos templos de Jerusalém e seus respectivos significados:
O altar de sacrifícios – Logo que se entrava no pátio externo do templo, após as muralhas, era encontrado o grande altar em que se sacrificavam os animais ofertados a Deus. Eles eram o símbolo dos pecados e morriam em expiação por eles. Só podiam ser abatidos animais em perfeitas condições, geralmente os melhores entre os melhores dos rebanhos. Queimados, produziam fumaça que subia aos céus como “cheiro suave” ao Senhor (Êxodo 29.25), significando estar o fiel livre dos pecados, o que agradava a Deus.

O “mar de bronze” – Também chamado “mar de fundição” (I Reis 7.23-40), era um grande reservatório de água que ficava ao lado do altar de sacrifícios. Com a mesma simbologia da antiga pia do Tabernáculo, em sua água eram lavados os pecados, com um forte significado de purificação (na forma do sangue e qualquer outro resíduo que ficasse nas mãos e pés dos sacerdotes). O reservatório, redondo, ficava sobre doze bois esculpidos em bronze que, em grupos de três, tinham suas cabeças voltadas para os quatro pontos cardeais. No mar de bronze eram abastecidas dez pias móveis, sobre rodas, que eram espalhadas pelo pátio externo, cinco de cada lado do templo.
As duas colunas – Ao lado do pórtico principal do templo ficavam duas colunas de bronze que iam quase até o teto, nomeadas Jaquin e Boaz por seu realizador, Hirão Abiff, enviado pelo rei de Tiro, seu homónimo, Hirão, com os arquitectos e artífices que trabalhariam na obra do templo (I Reis 7.13-22). Reconhecido artesão do bronze, Abiff teria homenageado os reis David e Salomão com os dois pilares, segundo alguns crentes. Para os judeus, são pilares simbólicos muito importantes para a vida com Deus: Jaquin simbolizando a sabedoria e Boaz a inteligência (ambos atributos de Salomão que o faziam famoso em todo o mundo conhecido da época).

A mesa dos pães – A exemplo da mesa dos pães do Tabernáculo, o grande templo também tinha a sua, na mesma posição, à direita de quem entrava no Lugar Santo. Com doze pães ázimos empilhados em duas colunas de seis, a mesa da proposição simbolizava o alimento que vem de Deus, bem como o alimento espiritual de sua palavra. Hoje sabemos que era um dos vários símbolos alusivos a Jesus Cristo, que se referiu a ele mesmo como sendo o “pão da vida” (João 6.35), mesmo que na época os construtores do templo não soubessem disso.

Os menorás – O menorá, grande candelabro de ouro com sete lâmpadas a óleo, era somente um no Tabernáculo. No grande templo de Salomão, o número aumentou para dez, em duas colunas de cinco ladeando o santo lugar (I Reis 7.49). Além da evidente utilidade de iluminar o ambiente, simbolizava a presença de Deus no local. Além disso, suas lâmpadas eram alimentadas com óleo, simbolizando a unção de Deus sobre nossas vidas. A luz simbolizava também a própria Palavra, a verdadeira iluminação para a vida, orientando o caminho para o Senhor.
Altar de incenso – No altar que ficava no fim do Santo Lugar, o oráculo (I Reis 7.49), eram colocados os incensos, cujos aromas de especiarias e outros perfumes dominavam o cómodo. Uma simbologia bastante forte para as súplicas, que novamente nos levam à figura do cheiro agradável que sobe aos céus em direção ao Senhor. Ali os sacerdotes dirigiam suas súplicas e a de seus fiéis, já que eram como intermediários entre o povo e Deus. Hoje, graças ao sacrifício supremo de Cristo, falamos diretamente ao Pai.


O Véu – Separando o Santo Lugar do Santo dos Santos havia um véu, uma grande cortina com dois querubins bordados que era a única barreira. Somente o sumo-sacerdote entrava por ele para conversar com Deus diretamente. O simbolismo do véu é forte: embora seja um material frágil, a única coisa que impedia outros sacerdotes de entrar ali era o respeito e o temor a Deus. Também era um obstáculo à visão. Os sacerdotes comuns, bem como o povo, ali não entravam. Mas por meio da oração que o sumo-sacerdote levava, todos tinham seu acesso indireto ao pai. Um obstáculo frágil, fácil de ser transposto para chegarmos a Deus, bastando para isso orar (Marcos 15.38).

A Arca da Aliança – A Arca da Aliança, após muitos anos habitando no Tabernáculo, foi depositada no Santo dos Santos do grande templo de Salomão. Objeto sagrado somente tocado pelos sacerdotes e nunca por uma pessoa comum do povo, encerrava outros objetos com imenso significado sagrado: as tábuas dos Dez Mandamentos que Moisés lavrara orientado por Deus (a Palavra), um bocado do maná que foi dado como alimento ao povo no deserto pela primeira vez (a provisão de Deus) e a vara de Arão que florescera (o reconhecimento de Deus da autoridade conferida a alguém). Sobre a Arca estava o Propiciatório, a tampa do grande baú, com duas imagens de querubins voltadas uma para a outra com as asas esticadas. Entre os anjos dourados, o sumo-sacerdote deveria focalizar a presença de Deus, que falava a ele (Êxodo 25.10-22).

terça-feira, 14 de julho de 2009

O que Creio sobre a Morte - parte I

Autor: Prof. Gilson Medeiros

Um dos ensinamentos bíblicos mais confortadores e maravilhosos para os cristãos é o que assegura a ressurreição da vida, para os que morreram em Cristo (cf. Jo 5:28-29; 11:15-27). Aqueles que entregam suas vidas aos cuidados amorosos e redentivos de Cristo, e passam pela morte antes de Sua vinda, serão ressuscitados e elevados ao encontro do Senhor nos ares, ou seja, nas nuvens (cf. 1Ts 4:15-17; 1Co 15; Mt 24:30; Mc 13:26; Ap 1:7). Esse ensino é tão maravilhoso que o apóstolo Paulo orientou a Igreja a consolar-se mutuamente com tais palavras, especialmente nos momentos de luto (cf. 1Ts 4:17).

A IASD crê que os mortos não recebem imediatamente após a morte a sua recompensa eterna.

Uma vez que os mortos em Cristo serão ressuscitados por ocasião da vinda de Cristo (cf. 1Ts 4:15-17), fica evidente que a recompensa não é dada imediatamente após a morte, como acreditam muitos dos cristãos atuais, equivocadamente.

Seria muito estranho alguém que morre hoje e já vai para a “glória”, ou “seio de Abraão”, por ocasião da volta de Cristo ter que retornar ao corpo para ser ressuscitado e voltar novamente para a “glória”. É uma confusão que a Bíblia não sanciona. Por isso, a Igreja Adventista não acredita que uma pessoa vá imediatamente para o céu ou para o inferno, por ocasião da morte, conforme veremos melhor nos tópicos seguintes.

A IASD crê que a morte é um sono, como o próprio Jesus ensinou.

A Bíblia ensina claramente que a morte é como um “sono”, no qual “dormimos” até o dia da ressurreição (cf. Jo 11). Não é bíblico o ensinamento de que o homem possui uma “alma” indestrutível e imortal, que “sai” do corpo por ocasião da morte.
Quando o Senhor formou o homem do pó da terra, Ele soprou em suas narinas, e o homem passou a ser “alma vivente” (cf. Gên. 2:7; 1Co 15:45). É uma “equação” natural:

PÓ DA TERRA + FÔLEGO DE VIDA = ALMA VIVENTE

Por ocasião da morte, cessam todos os sentimentos, desejos, mágoas, etc. A pessoa não mais “tem parte” com nosso mundo, ou seja, não há como haver qualquer comunicação entre vivos e mortos, porque estes estão “dormindo” (cf. Ecles. 9:5-6). Deus sabe muito bem dessa impossibilidade de comunicação entre vivos e mortos, por isso o Senhor proibiu Seu povo de tentar tal “comunicação”, para não serem enganados pelos espíritos dos demônios (cf. Lv 19:31; 20:6; 1Sm 28:7-25; Is 8:19; 1Tm 4:1; Ap 16:14). Como os mortos estão dormindo, e não possuem "almas" que ficam vagando por ai, quem se apresenta "do além" para se comunicar com os vivos são os espíritos demoníacos.

Em vários outros locais a Bíblia sempre se refere à morte como a um sono. Por exemplo:
a) Sal. 115:17 – já que os mortos não vão imediatamente para o céu, é evidente que eles não podem louvar ao Senhor.
b) Mt 9:24 – se Jesus sabia que a menina estava morta, como os parentes já haviam constatado, por que Ele falou que ela estava “dormindo”? É claro que é porque Jesus comparava a morte a um sono (cf. Mt 27:52; Mc 5:39; Ef 5:14).
c) 1Co 15:17-18, 51-53 – o apóstolo Paulo também é muito enfático em dizer que os mortos estão apenas “dormindo”.
d) 2Pe 3:4 – os demais discípulos também compreendiam que a morte é um sono.

Não há como fugir do claro ensino bíblico acerca da morte. Ela nada mais é que um sono, do qual todos um dia acordarão, seja na ressurreição da vida, seja na do juízo (cf. Jo 5:28-29). Por isso, não podemos acreditar em doutrinas equivocadas, tais como: purgatório, inferno eterno, reencarnação, espiritismo, assombração, mediunidade, etc. Nada disso tem base na Bíblia, mas sim no paganismo, que sempre acreditou na imortalidade da alma e, através do pensamento grego, principalmente, conseguiu infiltrar-se no Cristianismo.

O renomado teólogo não-adventista, Oscar Cullmann, também reconheceu que o ensino dos grandes filósofos Sócrates e Platão (que disseminaram a heresia da imortalidade da alma) não pode, de forma alguma, ser harmonizado com o do Novo Testamento, pois este trata da ressurreição, e não da imortalidade da alma.

A Bíblia declara que apenas Deus é imortal (cf. 1Tm 6:16), e somente na ressurreição é que Ele dotará os salvos com este dom (cf. 1Co 15:50-54). A alma, por outro lado, é mortal, pois, como vimos, nada mais é do que o fôlego de vida que o Senhor concede a todo ser vivo (cf. Ez 18:4, 20; Gên. 2:7).

A Igreja Adventista, mais uma vez, sai na frente no debatido tema da “vida após a morte”, pois prefere permanecer com o que a Bíblia ensina, a confiar em doutrinas e especulações meramente humanas e pagãs, como o é a imortalidade natural da alma (cf. Hb 9:27).

O que Creio sobre a Morte - parte II

Autor: Prof. Gilson Medeiros

Dando continuidade a esta série de temas sobre o estado dos mortos, quero completar com algumas reflexões sobre a heresia do inferno, complementando o que postei anteriormente.

Os Adventistas não crêem que os ímpios serão atormentados eternamente em um lago de fogo infernal.

Uma das doutrinas mais assustadoras que a mente humana já foi capaz de criar é a do lago eterno de fogo, que queimará por um tempo indefinido aqueles que não aceitarem a salvação em Cristo. Chamam tal lugar de “inferno”. Não podemos acreditar em tal absurdo e ainda continuarmos crendo em um Deus de amor e misericórdia (cf. 1Jo 4:8, 16; Jo 3:16)! Isso é totalmente incompatível com o ensino da Bíblia.

A doutrina do inferno eterno foi surgindo aos poucos no seio do cristianismo primitivo, e foi usada como ferramenta de medo para “converter” mais facilmente as pessoas. Mas, de onde surgiu essa doutrina? Ela tem suas raízes muito antes do surgimento da Igreja Cristã. Tenho um extenso material de pesquisa sobre como o tema do inferno foi introduzido no cristianismo. A seguir está um resumo do que descobri.

Na mitologia grega havia uma divindade que era a responsável pelo mundo subterrâneo, considerado o destino final dos mortos. Seu nome era Hades. Um outro nome para Hades era Plutão, simbolizando que ele também era o dono de todas as riquezas que existem sobre a Terra. Embora Hades apareça poucas vezes nas lendas gregas, ele é bastante mencionado, citando-se como algumas de suas principais participações o rapto de Perséfone, o 12º trabalho de Héracles, e o de Orfeus e Eurídice.

Primariamente, o reino de Hades era localizado no extremo ocidente, além do “rio Oceano” (segundo a Ilíada, de Homero). Posteriormente é que ele foi situado abaixo da superfície terrestre, passando a inspirar alguns séculos depois o pensamento cristão ocidental e asiático acerca do inferno (um lago de fogo subterrâneo).

O Judaísmo primitivo (é só ler o Pentateuco para verificar) não contemplava nenhum tipo de vida posterior, nem felicidade para os bons, e nenhum tormento para os maus. Nos Salmos e Profetas, no entanto, já aparece uma esperança de imortalidade. Mas são nos livros pseudepígrafos e apócrifos onde esta esperança desenvolveu-se de forma mais acentuada. No Antigo Testamento, o pensamento hebreu assemelha-se, em alguns pontos, ao grego quando refere-se ao estado da morte:

Entre os hebreus, o local equivalente ao Hades grego chamava-se Sheol, que por sua vez possuía dois compartimentos: um para os bons e outro para maus; o inferno seria, então, o compartimento dos maus.

Os israelitas, de modo geral, preocupavam-se mais com o tempo presente, e estarem preparados e aptos para entrarem no mundo vindouro. Sua concepção acerca do inferno e destino dos condenados, após a morte, não influenciou a concepção católica, tanto quanto aconteceu com a mitologia grega e pagã.

Alguns historiadores eclesiásticos afirmam que os escritores pastorais eram muito mais específicos a respeito do Inferno que do Céu; escreviam como se tivessem estado lá. Os três grandes doutrinadores medievais – Agostinho, Pedro Lombardo e Aquino – insistiam em que as penas infernais eram tanto físicas quanto mentais e espirituais, e fogo de verdade tomava parte dos tormentos.

Vê-se, então, que a doutrina do inferno desenvolveu-se paulatinamente, desde o início do catolicismo romano, e foi cada vez ganhando mais força e adeptos ao longo da Idade Média, chegando até os dias atuais. Basta uma pesquisa rápida na Internet (modernamente o meio de comunicação mais eficaz para disseminar ensinamentos e ideologias), nos sites reconhecidamente católicos (extra-oficiais), para se verificar que o pensamento sobre o inferno continua enraizado na mente e nas declarações da Igreja. Um destes sites, por exemplo, transcrevendo um artigo de John Vennari, declara que o tema do inferno faz parte das “revelações” de Fátima à humanidade, ocorridas em 1917.

Os protestantes também assimilaram a doutrina do inferno, e fazem dela um ponto importante em seus ensinos. Por exemplo: o Centro Apologético Cristão de Pesquisas, mantido por um grupo de pastores evangélicos de São José do Rio Preto, SP, afirma em sua declaração de fé a crença de que “aos salvos está destinado o gozo eterno no céu ao lado de Deus, bem como aos perdidos à maldição eterna no lago de fogo por toda a eternidade”. Na Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira, o item XIX expressa que “os ímpios condenados e destinados ao inferno lá sofrerão o castigo eterno, separados de Deus”, enquanto que “os justos, com os corpos glorificados, receberão seus galardões e habitarão para sempre no céu, com o Senhor”. A Confissão de Fé de Westminster, da Igreja Presbiteriana, declara que “as almas dos justos, sendo então aperfeiçoadas na santidade, são recebidas no mais alto dos céus onde vêem a face de Deus em luz e glória, esperando a plena redenção dos seus corpos; e as almas dos ímpios são lançadas no inferno, onde ficarão, em tormentos e em trevas espessas, reservadas para o juízo do grande dia final”. A Igreja Evangélica Assembléia de Deus, no site da sua congregação matriz em Imperatriz/MA, afirma crer “no juízo vindouro que recompensará os fiéis e con-denará os infiéis; E na vida eterna de gozo e felicidade para os fiéis e de tristeza e tormento para os infiéis”.

Como eu disse, realizei extensa pesquisa sobre o tema do inferno, e fiquei convicto do quanto esta doutrina foi se infiltrando no cristianismo, apesar de suas evidentes raízes no pensamento pagão e idólatra do helenismo.

O que achei mais interessante, é que tanto católicos quanto protestantes se utilizam de textos bíblicos isolados do seu contexto para tentar provar o quanto Deus é justo enviando as pessoas ao tormento eterno do inferno. Que contradição!

Segundo o eminente teólogo Dr. Samuele Bacchiocchi, a crença no “aniquilamento dos ímpios”, ou seja, na doutrina bíblica de que Deus colocará um fim definitivo ao pecado (e não manterá os ímpios no fogo eterno) está baseada em quatro considerações bíblicas fundamentais, que comprovam a falácia da argumentação sobre o inferno eterno:

1) A morte como castigo do pecado.
2) O vocabulário sobre a destruição dos ímpios.
3) As implicações morais do tormento eterno.
4) As implicações cosmológicas do tormento eterno.

OBS.: Clique aqui e veja o estudo completo do Dr. Bacchiocchi.

O propósito do plano da salvação é desarraigar definitivamente a presença do pecado e dos pecadores deste mundo. Somente se os pecadores, Satanás e o mal são afinal consumidos no lago de fogo, e extintos na segunda morte, é que verdadeiramente poder-se-á dizer que a missão redentora de Cristo foi concluída. Um tormento eterno lançaria uma sombra permanente sobre a nova Criação.

Mais uma vez, os Adventistas estão corretos, pois ficam entre os que preferem ver Deus como a Bíblia O apresenta – amor, bondade e justiça – do que da maneira como os que defendem a existência eterna do inferno ensinam – vingança, crueldade e sadismo.

"E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram" (Apoc. 21:4).

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Existe Mesmo Inferno?

A crença popular ensina que quando uma pessoa morre, se foi boa, vai para o Paraíso; se foi má, vai para o Inferno. Há também uma doutrina chamada purgatório, que existe em conexão com a doutrina do inferno.
Mas o que a Bíblia ensina sobre este assunto?
Se estudarmos a Bíblia com cuidado, vamos descobrir que ao Jesus voltar a esta terra, "os mortos ouvirão a Sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo". João 5:28-29.
A Bíblia também ensina que quando Jesus voltar, Ele se assentará no Seu trono para julgar o mundo "com justiça".
Seria possível harmonizar as doutrinas da Volta de Jesus e da Ressurreição, com a doutrina do inferno?
Se quando alguém morre, vai ou paraíso, ou para o inferno ou mesmo para o purgatório, qual seria a importância ou o significado da ressurreição e mesmo de um julgamento por ocasião da Volta de Jesus?
A Bíblia afirma que quando Jesus voltar, Ele mesmo vai separar os bons dos maus, o trigo do joio, as ovelhas dos cabritos. (Mateus 25:31-33)
A Bíblia ensina enfaticamente em Apocalipse 22:12 que somente quando Jesus regressar é que cada um receberá a recompensa segundo as suas obras.
Ao tratarmos deste assunto controvertido, queremos lembrar outra vez aos nossos queridos amigos, que somente a Palavra de Deus pode esclarecer e dizer a verdade. O que fugir disso é conjectura humana.
Vejamos um pouco da história:
Dante Alighieri, que viveu na Idade Média, de 1.265 a 1.321, escreveu uma obra intitulada: "A Divina Comédia", dividida em 3 partes: Inferno, Purgatório e Paraíso.
Com esta obra, Dante abalou o pensamento teológico da época.
Infelizmente, o Inferno de Dante, estava baseado nos ensinos pagãos de Platão e Virgílio.
Os escritos de Dante influenciaram até mesmo o cristianismo, pois as características principais do Inferno, segundo a concepção hindu, persa, egípcia, grega e cristã, são essencialmente as mesmas.
O Inferno tem sido descrito como a morada dos espíritos malignos, o lugar da vingança divina, onde não há misericórdia e cujo sofrimento é sem fim.
Então nós perguntamos: Como harmonizar todas estas idéias com o ensino da Bíblia que diz que Deus é amor? Se você é um pai, admitiria a idéia de castigar um filho incessantemente? Com certeza que não! Será que Deus seria mais severo que um pai terrestre?
Há na Bíblia 4 expressões que são traduzidas por Inferno. São elas: Sheol do hebraico, e Geena, Hades e Tártaro do grego.
Analisemos brevemente estas 4 palavras usadas e traduzidas por Inferno, e então vejamos na Bíblia, as suas aplicações:
A palavra Sheol às vezes é traduzida por sepultura, como no Salmo 16:10. "Não deixarás a minha alma na sepultura". Sheol
Também a palavra Hades significa sepultura, ou morte. Aparece 11 vezes no Novo Testamento. "Onde está ó morte a tua vitória?. Hades I Coríntios 15:55
A palavra Geena também significa "lugar de queimar". Ocorre 12 vezes no Novo Testamento e é a forma grega de "Vale de Hinon".
O vale de Hinon, ao sul de Jerusalém, foi o local onde o povo de Israel ofereceu sacrifícios humanos, de criancinhas, ao "deus" Moloque. Deus determinou que aquele vale seria chamado de "vale da matança" Jeremias 7:32.
Mais tarde o vale de Hinon tornou-se o local da queima de lixo e de cadáveres. Por isso o fogo e a fumaça existiam ali constantemente, e o que o fogo não destruía, os vermes consumiam. Era símbolo de destruição. Geena
A última das 4 palavras traduzidas por Inferno, é Tártato. Significa prisão, ou profundo abismo, e refere-se aos anjos caídos do céu, quando Lúcifer se rebelou contra Cristo e foi expulso de lá. Apocalipse 12:9. Acha-se uma vez mais na Bíblia, em II Pedro 2:4. Tártaro
A Palavra de Deus ensina que quando os seres humanos morrem, todos vão para o Sheol ou Hades, sepultura, quer sejam bons, quer sejam maus, justos ou injustos, salvos ou perdidos. Eles dormem o sono inconsciente da morte, e aguardam a volta de Jesus para o juízo final, bem como a recompensa que cabe a cada um. O Salmo 89:48 pergunta: "Que homem há, que viva, e não veja a morte?. e Salomão confirma: "O mesmo sucede ao justo e ao perverso". Eclesiástes 9:2.
Sim amigos, bons e maus, justos e injustos, todos os que morreram estão na sepultura e aguardam o dia final.
Talvez isso possa surpreendê-lo, mas atualmente não existe em lugar nenhum, um inferno de fogo, queimando pecadores, como também não há almas libertas do corpo. Quando as pessoas morrem elas vão para a sepultura, para o sono da morte; ninguém vai ao Paraíso, ao Purgatório ou ao Inferno.
Exatamente agora, não existe nenhum Inferno, mas haverá sim, um Inferno, no futuro e será aqui mesmo na terra. Isso é o que a Bíblia ensina. Foi Satanás quem inventou o chamado Inferno de Fogo, para desvirtuar o caráter e a imagem de Deus. A fim de que as pessoas pensem que Deus é vingativo, cruel, queimando os ímpios por toda a eternidade. Seria isto amor? Seria isto justo?
Desde o princípio tem sido parte da obra do enganador distorcer o caráter divino, levando criaturas a terem ódio do Criador.
Graças a Deus, não existe ninguém queimando num Inferno. O Senhor não tem prazer na morte do ímpio. Deus mesmo afirma: "Tão certo como eu vivo, diz o Senhor Deus: não tenho prazer na morte do ímpio, mas que o ímpio se converta do seu mau caminho e viva". Ezequiel 33:11.
Por ocasião da Segunda Vinda de Cristo, os justos mortos ressuscitarão.
I Tessalonisenses 4:16. E Então receberão a recompensa.
Somente quando Jesus regressar é que os justos serão levados ao Paraíso. Lá reinarão com Cristo por mil anos e julgarão os ímpios, para comprovar a justiça de Deus. Apocalipse 20:4 e I Coríntios 6:2-3.
Após mil anos no céu, Jesus Cristo e os santos retornarão à terra. Naquela ocasião Jesus Cristo dará a recompensa aos ímpios. A Palavra de Deus afirma que quando os ímpios quiserem destruir a Cidade Santa e derrotar a Cristo e os salvos, então "descerá fogo do céu e os consumirá". Apocalipse 20:9.
Nessa mesma ocasião, o diabo, a morte e o inferno (sepultura), também serão destruídos para sempre, pois serão lançados no lago de fogo e enxofre. Apocalipse 20:10 e 14.
Este fogo eterno - o inferno de Deus - destruirá tudo, e eliminará todo o mal: desde Satanás, o causador do pecado, até o último dos pecadores. Diz a Bíblia que quando esta terra for incendiada pelos fogos do inferno, no dia final, "todos os soberbos e todos os que cometem perversidade, serão como a palha... não sobrará nem raiz e nem ramos". Malaquias 4:1-3
A atitude de Deus ao destruir os ímpios é chamada na Bíblia de "o ato estranho de Deus". Isaías 28:21. Pois a destruição é contrária ao caráter de Deus, pois "Deus é amor". I João 4:8
Um dia Deus destruirá os ímpios num inferno de fogo, aqui nesta terra. Mas, somente depois de julgá-los pois Deus é amor e justiça.
O ensino bíblico de que o inferno de fogo será somente depois do juízo final, é coerente com o caráter justo de Deus, e se harmoniza perfeitamente com as promessas da segunda vinda de Cristo e da ressurreição dos mortos.
A idéia de um fogo de tormento eterno tem levado milhões a servirem a Deus por medo. Deus, no entanto, deseja serviço simples, franco e sincero. Em amor Ele nos salvou. Em amor Ele cuida de nós.
Se O amarmos e O servirmos de coração, não precisaremos temer os fogos do inferno, pois poderemos ter a certeza de alcançar a vitória final, a vida eterna.
E esta vitória é o resultado da bênção de Deus. O meu desejo é que o Senhor o abençoe também.
(Pr. Neumoel Stina )